domingo, 24 de janeiro de 2010

Primeiras Impressões

Cheguei a Manaus às 11:40 (horário local). No total foram 5 horas de vôo. Assisti a um filme ridículo de paixonite adolescente (que pra variar, me deixou com muita raiva por eu não concordar com o final) e depois, os 40 minutos seguintes foram turbulência pura (adoro!) Desci ao saguão e vi o tempo chuvoso que me esperava. E muito, muuuito calor! A chuva não refrescava muito, e até desanimava... e nada de plaquinha com meu nome! Havia contatado uma empresa para conhecer o hotel de selva no carnaval. Euller, o agente de turismo, disse que me buscaria no aeroporto e levaria até à pousada. Liguei pra criatura. Ele havia se esquecido de mim!! Pediu que eu tomasse um táxi e ele abateria o valor do pacote (que eu não havia pago ainda). E me encontraria na terça feira para acertar os detalhes.

Tomei o táxi. No caminho, reparava em tudo, parecia uma jeca que nunca saiu de casa... Um trânsito nervoso, os carros avançando a 80, 100km/h, debaixo daquela chuva torrencial! As poucas pessoas que andavam na rua estavam tranquilas, sem guarda chuva, como se nada estivesse acontecendo.

Já vi que ali minha chapinha iria pro saco (sim, eu levei a chapinha, assim como várias opções de maquiagem e brincos) e que teria que assassinar a minha paty interior...

Puxei assunto com o taxista. Cristóvão falou muito bem de Manaus, disse que lá é um ótimo lugar pra morar, que a polícia é eficiente, há segurança... “mas esse lugarzinho que você escolheu, hein? Muito feio, mas Manaus não é assim não!”

Opa... já me preocupei. Ele disse que o centro era uma bocada! Legal! Saí de uma para ir pra outra! Espertíssima!

Já estávamos rodando pelo centro e não vi nada de mais. Não haviam pessoas caídas pelo chão, tráfico à luz do dia, bandidos armados... Depois de muito enrolar (falando bem de Manaus), resolveu contar o que havia de feio ali. Era o ponto de prostituição! No centro só tem hotéis rotativos e umas 2 ou 3 pousadas familiares! O povo não gosta dali porque, afinal, é muito feio pessoas “de bem” frequentarem!

Cristóvão estava todo sem graça falando de um defeito de sua cidade (achando que eu me recusaria a ficar ali só porque haveriam pessoas fornicando no prédio ao lado). Tanto drama pra nada! Acho que ele nunca tinha ouvido falar da Crackolândia...

Entrei na Pensão Sulista e descobri que na verdade, deveria ter ido ao Hotel Sulista. O atendente me ajudou com a mala e fomos até lá... e eu tive a primeira decepção do dia. Já sabia que o quarto seria minúsculo e com o mínimo de conforto, mas me deparar com isso foi um choque de realidade. – Cadê a janela??

Primeira lição: em pousadas baratas ou albergues, a existência de janelas no quarto nunca deve ser um pressuposto.

Saí de lá e fui procurar a terceira pousada de família do bairro. Era até simpática! Com a decoração rústica, cheia de temas amazônicos... “Temos quarto sim, moça!” – Tem janela??

“Olha, veja bem... janela não tem, mas um dos quartos tem um basculante!” Fui ver o que era o tal do basculante. Era um vidro, daqueles de puxar, que abre só uma minúscula fresta... e virado pra parede. Melhor do que nada! Quando estava indo pra lá, me avisaram que havia desocupado outro quarto, também com basculante, só que virado pra rua. Nada mal! Cama de casal, chuveiro elétrico... agora eu já estava até no lucro!
Pensei em me jogar na cama e gritar: - Mãe, tá pronto? – mas eu precisava me virar... Na saída, encontrei Cilene, a proprietária do hotel. Perguntei aonde haveria um mercado por ali. Ela me respondeu com a pergunta: “Mercado? O que é isso?”

Isso porque eu estava no centro da grande metrópole do Estado!

“Aaah... uma venda!” – continuou. “Aqui ao lado tem uma”. Por sinal, era uma extensão do próprio hotel. Espertinha.

Fui almoçar e não gostei muito do restaurante. Tentei não reparar muito na limpeza e no ambiente, senão desistiria de comer... mas não é que a comida estava boa? Lembrava o tempero da mamãe! Ela foi criada no Norte; agora entendi porque gostava tanto daquele sabor!

Voltei pra pousada acabada e me joguei na cama! Decidi dormir até a hora de comer de novo! Só que o galo começou a cantar. E cantava, gritava... fiquei tão revoltada, tentava fuxicar mas meus óculos batiam no vidro... ah, era um galinheiro! Que ótimo. Vim de tão longe esperando ver iguanas, macacos... e tenho que conviver com as galinhas!

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